Certa vez, em uma conversa, quiseram saber o que me movia. Na
ocasião fiquei perturbada com o questionamento. Percebi que de imediato não
conseguiria responder nem para mim mesma qual o sentimento, ou o que me movia,
me impulsionava.
Fiquei matutando muitos dias e parecia que não conseguiria
ter paz se não encontrasse uma resposta para esta questão.
Passou algum tempo e a vida me dispersou com inúmeras
tarefas do dia a dia e acabei esquecendo, mas hoje, como um samba numa nota só,
bati na mesma tecla e fiquei refletindo sobre o que me movia.
Pensei que poderia ser justiça. Não somente aquela de
reconhecer os direitos de alguém a alguma coisa, atendendo cada um enquanto
cidadão, aplicando prêmios ou castigos, segundo cada merecimento. Não! Mas a
justiça como um todo, divina, em que se regula igualdade a todas as coisas e todos
os seres, estado de graça atribuído a cada um o que lhe é justo e merecido.
Depois achei que poderia ser alegria, mas aquela de se
alegrar com a conquista de outrem, altruísta e benevolente, festejando cada
acontecimento feliz, regozijando com o próximo e desejando-lhe o melhor de
todos os sentimentos, o de uma plena felicidade.
Mas isso implicaria em pensar na amizade, no sentimento de
afeto que nos liga a um amigo esperando também reciprocidade, por que não? Uma
relação íntima e amorosa sem necessariamente ter um compromisso social, que
permite falar sem pudores ou constrangimentos sobre as qualidades e
principalmente os defeitos no sentido de alertar a respeito de algo para
benefício mútuo.
Isso passaria pela liberdade, onde as pessoas são livres e
isentas de qualquer tipo de restrição ou coação física ou moral, permitindo que
manifestem suas opiniões de maneira natural, respeitando e sendo respeitadas pelo
que pensam e da forma com que agem, sem, contudo, agredir pela sua forma de ser.
Acabei chegando à conclusão de que para que haja justiça,
alegria, amizade e liberdade faz-se necessário que haja amor. Sem amor nada
funciona. Vejam só:
“Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no
céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo
ou como um barulho de um sino.
Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o
conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar
as montanhas do seu lugar, mas se não tiver amor eu não seria nada.
Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser
queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.
Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso,
nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro, nem egoísta, não fica irritado, nem
guarda mágoas. Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas
se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste, porém
suporta tudo com fé, esperança e paciência.
O amor é eterno.”
Amor... Esse amor é o amor ágape, que se doa
incondicionalmente. Difícil de encontrar no ser humano. Somos falhos e
escorregamos em cada palavra do texto acima transcrito de I Coríntios 13.1-8. Somente
em Deus, através de Cristo, podemos encontrar esse tipo de amor, e no próprio
Cristo que se deu por nós.
Portanto, o que me move é Cristo. Mesmo conhecendo seus
mandamentos, cometo muitos erros, peco em várias áreas de minha vida, mas por
Ele, Deus me ama e perdoa.
“Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim. E esta
vida que vivo agora, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se deu a
si mesmo por mim.” Gálatas 2.20
foto: Armandinho
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