terça-feira, 10 de setembro de 2013

DEVAGARINHO

O amor é sublime
A conquista é demorada
Diferente da paixão que vem
E arrasa tudo
Feito ciclone que
De repente aparece
Devasta todas as estruturas
E se vai deixando os cacos espalhados


O amor, não, este é delicado.
E chega devagarinho
Com o olhar, com a palavra, com o toque.
Quando desperta vem para ficar
Amor e paixão são emoções diferentes
Paixão nos invade por momentos
Nos deixa sem fôlego e a sensação
De impotência por não perdurar.

O amor, ah... o amor
Sentimento de doação,
De alegria por conceder alegria,
De liberdade por permitir liberdade,
De felicidade por ter a certeza
Da plena felicidade do ser amado.
E cresce, sem limites,
Sem pudores.

O amor arde, paixão queima.
O amor valoriza, paixão é egoísta.
Feliz daquele que tem
Um amor para toda vida,
Em que a doação é bilateral,
Onde a conquista é a cada dia.
Não é de repente...
É aos poucos que o amor acontece.

foto: coletada na internet (desconheço autoria)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

PRIMEIRO IMPACTO!!

Chega uma hora em que o sono bate e é melhor ir para cama, ainda mais nesse frio. Fui me deitar me agasalhei bem e fiquei curtindo o quentinho da cama até que adormeci. O meu amor, como sempre, ficou vendo TV.

Estava quentinha, num sono profundo com sonhos coloridos e cheirosos quando de repente senti algo gelado nas minhas costas. Eu não estava entendendo direito o que estava acontecendo, pois para mim estava dormindo há horas e murmurando me desvencilhei do que me incomodava, mas de novo senti o gelado agora nas pernas também.

Era o meu amor com frio querendo se esquentar.

- De jeito nenhum!!! Sai prá lá com esses pés e mãos gelados!!! – disse sonolenta.

- Ah amor... é só o primeiro impacto... – respondeu.

- Pois vá você com esse primeiro impacto prá  @%+-#@...!!!!

Ninguém merece!!!

foto: coletada na internet (desconheço autoria)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AMOR


Amor
Quatro letrinhas mais que especiais!
É entrega, é doação
"É mais que côncavo e convexo
É conexo, é com nexo!"

foto: desenho por Inês de Barros

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

NINGUÉM!!


Ricardo sempre conta um fato interessante. Um amigo dizia que em toda casa mora um NINGUÉM. Explico: Quando alguma coisa quebra ou some, perguntamos de quem foi a autoria do feito e quem pegou o tal objeto de seu lugar. Não obtendo a resposta tão esperada, pressupomos que foi NINGUÉM, portanto em toda casa “ninguém” quebrou, “ninguém” pegou.

Outro dia estávamos à mesa do lanche e eu tinha feito pão de queijo. Contei os pães que renderam dezesseis unidades. André é muito guloso e ama pães de queijo de paixão.  Como somos três, na repartição ficariam cinco para cada um de nós e sobraria um, que eu destinei ao André, mas não disse nada. André pegou suas 5 unidades e colocou-as em seu prato e lanchamos. Ao terminarmos o lanche, André vendo que havia sobrado um perguntou-nos quantos havíamos comido e pelas contas aquele estava sobrando. Então perguntou:

- De quem é este que está sobrando?

Respondi:

- De ninguém.

Imediatamente, sem titubear, André se denunciando, afirmou:

- Então é meu!! - abocanhando o quitute numa só mordida...


O nosso ninguém já descobrimos quem é... e o de vocês?!

foto: por Inês de Barros
         Pão de Queijo
         jun/2013

sábado, 31 de agosto de 2013

REPOUSE, A NOITE CHEGA...



O dia se vai,
Descansar para um novo alvorecer.
Os primeiros sinais da noite aparecem,
Para novamente adormecer.

A noite traz segredos,
Muitos deles misteriosos.
Um silêncio ensurdecedor,
Evidenciando os sons cadenciosos.

Cri-cri, hu hu.
Essa sinfonia embala o sono.
O corpo e a mente se entregam
Como se não tivesse dono.

Os sonhos, dormindo ou acordado,
Muitas vezes não revelados,
Passeiam na mente
Deixando os pensamentos atribulados.

Descanse meu coração,
Deixe-se embalar agora,
Que para a vida,
O sol desperta sem demora

E com o astro rei,
No esplendor de seus raios,
Tudo se revela
E muitas lições extraio.

A guerra é dura,
Batalhas a vencer.
Com a esperança
Da vitória obter.

Mas por hora durma,
Descanse ao som dos animais noturnos
Que amanhã será o dia
Em que vencerá os pensamentos taciturnos.


foto: por Inês de Barros
        Pôr do sol em Cunha/SP
       Julho/2008

terça-feira, 27 de agosto de 2013

KIKO

Um rottweiler chegou até mim com 40 dias.

Uma bolinha de pelo que dormia o tempo todo, um filhotinho mais doce que já tinha visto.

Foi crescendo e junto com ele a sua curiosidade por tudo que o cercava. Roeu móveis, fios da máquina de lavar, botões da máquina de secar e preencheu meu quintal com uma vida imensa.

Na hora de dormir, ele permanecia embaixo da minha janela a noite toda, muito embora tivesse o espaço dele bem resguardado do sereno e da chuva. Latia muito pouco, somente para marcar presença quando sentia ameaça iminente. Mas ao comando de minha voz ele percebia que tudo estava calmo e se aquietava.

Brincava com André feito criança. Não podia vê-lo que achava que era um brinquedinho seu. A medalha de judô que André ganhou, devemos aos treinos do personal trainer KIKO!!

Belo cão com seu pelo negro brilhante e bem cuidado. Adorava tomar banho. Ficava quietinho. Era carinhoso, dócil e meigo. Ninguém podia me abraçar sem que ele manifestasse seu ciúme afastando as pessoas de mim. Não rosnava, não mordia, apenas enfiava sua enorme cabeça entre mim e a pessoa que estava me abraçando e a afastava com toda delicadeza. Acho que ele aprendeu isso com o André.

Podia tirar o prato da ração dele sem o menor medo, mas o osso dele... ahhhhh... Desse ele cuidava com toda atenção para que não ficasse sem. Como não tem terra no quintal, ele escondia o osso nos cantinhos ou atrás de algo que somente ele conseguiria achar (assim pensava ele).

Era só eu chegar ao quintal que lá vinha ele com os brinquedinhos dele. Entregava-me todo babado para que eu jogasse longe para buscar. E de novo, de novo, de novo. E não me deixava entrar em casa me cercando e me empurrando contra o muro. O bicho era bem mais forte que eu e para enganá-lo eu jogava o brinquedo para buscar e entrava correndo em casa. Só que o meu bichão era muito inteligente. Aprendeu logo a perceber as minhas artimanhas e não arredava pé de perto de mim, pois carente como era, queria que eu ficasse o dia inteiro só brincando com ele.

Era só eu chegar à cozinha para preparar o almoço que lá vinha ele pedir qualquer coisa. Adorava frutas e verduras. Era o verdadeiro cão chupando manga. Batata, repolho, cenoura, manga, maçã, pêssego, ameixa, cereja... Só não comia banana, chique o meu cão, viu?!

Aprendeu a sentar com o estalar dos dedos, a não entrar em casa e ele me ensinou a amá-lo de tal forma que a primeira coisa que eu fazia ao abrir a porta da cozinha era procurar por ele. 

Daí o meu bichão começou a mancar. A me ver com o olhar distante. Não estava mais tão ágil como era. Sentia dores nas patas e pernas. Tremi. "Alguma coisa de errado meu bichão tem".

Fui atrás de respostas e... Cinomose. Infelizmente optei pelo sacrifício, pois não queria ver aquele que me deu tanta alegria sofrer e eu sem condições financeiras, físicas e psicológicas para tratá-lo.

Chorei, feito criança que perde seu mais precioso brinquedo. Durante muito tempo ainda o procurava no quintal e permanecia lá durante algum tempo só me recordando das brincadeiras.

Em dezembro de 2012 fez um ano que KIKO se foi, mas é uma lembrança muito boa em minha memória, na certeza de que cão fiel e dócil igual a ele jamais encontrarei.



fotos: arquivo pessoal

sábado, 24 de agosto de 2013

BÓRIS

Há um ano, André, ao retornar da escola todo ressabiado, veio com a seguinte história: “Mãe, o Bruno perguntou hoje para mim se eu gostaria de adotar um cachorrinho. Ele soube que eu fiquei muito triste com a morte do KIKO e disse que a cadelinha dele iria dar filhotinhos e gostaria de saber se ficaríamos com um.”

Difícil decisão, pois a cinomose venceu meu cachorrão e não poderíamos ter nenhum cachorro em casa num período de um ano para termos um outro companheiro que viesse vacinado ou de 6 anos para um que viesse sem a vacina e havia se passado somente 6 meses. Ainda teria que convencer Ricardo, pois já havia sinalizado que não queria mais pelo fato de ter sofrido muito com a perda de KIKO.

Pois muito bem, conversei com André a respeito e o posicionei que iria convencer Ricardo que se manteve resistente o tempo todo. Orientei-o para dizer ao seu colega que o bichinho só poderia vir para casa se seguisse aquelas orientações já expostas.

O tempo passou e nada de notícias do tal bichinho que em dezembro, quando completasse um ano da morte de KIKO deveria vir para casa. Nada de se falar sobre o assunto e eu já até havia me esquecido, até que em março deste ano recebi a notícia de que a cadelinha havia dado cria. Bem, aí o tempo de recomendação já havia passado e era só aguardar que o cachorrinho fosse vacinado.

Antes da 3ª dose da vacina fomos visitar a ninhada e fui recebida por um cachorrinho pequenininho que veio até mim e me olhou com cara de pidão querendo colo. Imediatamente o peguei nos braços e ele se aninhou de tal forma que na hora eu quis trazê-lo para casa. Coloquei-o no chão ele foi até seus irmãos e voltou erguendo as patinhas dianteiras nas minhas pernas querendo o meu colo novamente. Claro que o peguei. Naquele momento percebi que ele tinha me escolhido e eu imediatamente o adotei.

Quando ele recebeu a 3ª dose, e nós ansiosos por recebê-lo, ele adoeceu. Provavelmente pela reação à vacina e esteve internado por dois meses. Por duas vezes quase morreu. Seus níveis de resistência praticamente chegaram a zero e achamos que o perderíamos. Foi tratado com todo carinho até que foi se recuperando. Voltou para casa e a irmãzinha de Bruno, Elisa, cuidou dele com esmero aplicando-lhe vitaminas e o fazendo se alimentar. Imagino o stress que este cachorrinho tão pequeno passou com tão pouco tempo de vida.

Enquanto ele não se fortalecesse, fiquei receosa de trazê-lo para casa com medo de que adoecesse de novo por sentir falta de sua família e de seus cuidadores que lhe davam tanto carinho. Esperei mais algum tempo até que o veterinário deu alta dizendo que já poderia ser adotado por nós.

Chegou, finalmente, o dia em que fomos buscá-lo. Ele estava muito assustado e diferentemente dos irmãos que vieram nos receber fazendo um baita alarde, Bóris se escondeu dentro da casa e sumiu. Parecia que ele estava prevendo que dali sairia.

Recebemos as instruções necessárias para o cuidado diário e fomos à cata do pequeno para irmos embora. A despedida foi triste e dolorosa, principalmente por parte de Elisa que não parava de acariciar Bóris já com muita saudade.

Chegando em casa Bóris se sentiu acuado, desconfiado, assustado num ambiente desconhecido por ele, sem o cheiro habitual. Curioso, cheirou cada pedacinho da casa. Não comeu, pouca água bebeu e nos olhou com cara desconfiada se escondendo num canto da sala perto da porta de entrada como se tivesse a certeza de que a abriríamos para poder sair e voltar para sua família.

Tivemos que ter muita paciência no trato do bichinho assustado. Demos uma caminha quente e confortável para dormir e muito amor e carinho para que ele se sentisse em casa. Não queria brincar ou comer, fiquei preocupada. Para que ele comesse, eu me sentava no chão e dava sua ração na boca feito um bebezinho. Assim ele comia. Aos poucos fui colocando em seu prato para que dali se alimentasse.

Hoje, quinze dias depois, Bóris está totalmente adaptado fazendo das suas. Já se meteu com meu chinelo, cavou um buraco no meu canteiro de tempero, vindo com a maior cara de pau cheirando a alecrim e sálvia, corre alegre pelo quintal e late para a cachorrada da rua para avisar que agora esta casa é território dele. Logo pela manhã não sai de casa para fazer xixi sem antes dizer bom dia para todos. É o meu companheiro. Acompanha-me feito sombra para onde eu vou e fica deitado aos meus pés quando estou no meu cantinho. Quando quer brincar sai correndo e volta me desafiando a jogar brinquedos para pegar e trazer de volta. Preencheu um vazio enorme com a falta de nosso cachorrão KIKO.

Seja muito bem-vindo meu cachorrinho valente que venceu o maior obstáculo da vida e até aqui se mostrou vitorioso. Que possamos ter muita felicidade com sua permanência nesta família que muito amor e carinho tem a oferecer!! Amamos você!!

foto: por Inês de Barros
        Bóris
       AGO/2013